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El Niño pode ser o mais forte da história recente: entenda os impactos no Brasil e no mundo 

25 de agosto de 2026 - Aquecimento, Artigos
Foto: Magnific

O El Niño que está se desenvolvendo sobre o oceano pacífico pode se tornar o mais forte da história recente. O alerta foi feito pelo Met Office, serviço meteorológico nacional do Reino Unido, que considera o fenômeno um evento sem precedentes. Além de contribuir para o aumento das temperaturas globais, o fenômeno pode alterar os padrões de chuva e aumentar o risco dos eventos climáticos extremos em diferentes regiões do planeta. 

Segundo reportagem da BBC News Brasil, o El Niño já apresenta características que chamam a atenção dos meteorologistas. As temperaturas da superfície do mar em uma região importante do Pacífico estão mais de 2º C acima da média, enquanto as projeções indicam que essa diferença pode ultrapassar 3°C durante o pico do fenômeno. Caso isso aconteça, seria algo inedito nos registros iniciados em 1950. 

O que é o El Niño?

O El Niño é um fenômeno climático natural que ocorre, normalmente, a cada dois a sete anos e pode durar aproximadamente um ano. Ele está relacionado a mudanças nos ventos alísios e ao aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico. 

Em condições normais, os ventos alísios sopram de leste para oeste no Pacífico. Durante um episódio de El Niño, esses ventos podem enfraquecer ou até mudar de direção, permitindo que águas mais quentes se desloquem para o leste. 

Esse processo altera a quantidade de calor liberada pelo oceano para a atmosfera e  interfere nos padrões de temperatura e precipitação em diferentes partes do mundo. Os cientistas consideram caracterizado um El Niño quando a temperatura da superfície do mar em uma determinada região do Pacífico está pelo menos 0,5°C acima da média. 

No episódio atual, entretanto, as temperaturas já estão muito acima desse limite. As medições indicam anomalias superiores a 2°C, enquanto as previsões do Met Office apontam para a possibilidade de ultrapassar os 3°C.

Por que o El Niño chama tanta atenção?

Um dos principais motivos está na intensidade projetada para o fenômeno. Segundo o Met Office, as condições observadas podem levar a um evento sem precedentes nas previsões meteorológicas modernas.

Além das temperaturas elevadas na superfície do oceano, há também uma grande quantidade de água mais quente em profundidades do Pacífico. A reportagem destaca que, em alguns pontos, as temporadas a aproximadamente 100 metros de profundidade chegam a ficar cerca de 8°C acima do normal. 

Essa reserva de água quente pode contribuir para a intensificação do fenômeno à medida que ele se desenvolve. Para o cientista climático Zeke Hausfather, do Berkeley Earth, ainda existem meses para que o evento evolua, mas as projeções aumentam a confiança de que poderá se tratar de um El Niño recorde.

Algumas projeções mencionadas pela BBC chegam a considerar anomalias de até 4 °C. Caso esse cenário se confirme, o fenômeno poderia estar entre os eventos de El Niño mais fortes dos últimos séculos, embora não seja possível determinar com certeza a intensidade de fenômenos ocorridos em períodos tão distantes.

Quais podem ser os impactos no clima?

O El Niño modifica a distribuição de calor no oceano e interfere nos padrões de circulação atmosférica. Como consequência, seus efeitos podem alcançar diferentes regiões do planeta.

A reportagem destaca que não existem dois eventos de El Niño exatamente iguais. Por isso, os impactos podem variar de acordo com a região. Ainda assim, alguns efeitos já começam a ser observados.

Na Ásia, por exemplo, as chuvas de monção no sul do continente estão abaixo da média. Na Austrália, existe risco de períodos de seca e incêndios florestais. Já no Peru, Equador e sul dos Estados Unidos, o fenômeno pode aumentar o risco de inundações.

No Atlântico tropical e no Caribe, alterações nos padrões de vento podem contribuir para uma redução na atividade de furacões.

Como o El Niño pode afetar o Brasil?

No Brasil, os efeitos do El Niño também podem ser diferentes conforme a região.

Segundo a reportagem da BBC News Brasil, os meteorologistas indicam que o fenômeno deve continuar influenciando o clima brasileiro e contribuir para um cenário de eventos extremos.

As previsões para agosto de 2026 apontavam temperaturas acima da média histórica em grande parte do país, embora a intensidade variasse entre as regiões.

Outro aspecto destacado é a diferença esperada na distribuição das chuvas. Enquanto o Sul pode registrar chuvas acima da média associadas ao El Niño, o Norte e o Nordeste podem enfrentar uma tendência de redução das precipitações, condição que favorece o avanço das queimadas.

De acordo com Diogo Arsego, meteorologista do CPTEC, ligado ao Inpe, o El Niño que se configurou em junho deve permanecer ativo até o início de 2027 e atingir seu pico entre outubro e novembro.

Temperaturas globais podem aumentar

Outro ponto de atenção está relacionado às temperaturas médias do planeta.

Durante um episódio de El Niño, uma quantidade significativa de calor armazenada no oceano é liberada para a atmosfera. Esse processo pode contribuir para o aumento da temperatura média global.

De acordo com o Met Office, esse aumento tende a ser especialmente relevante no ano seguinte ao pico de inverno do El Niño. Por isso, os meteorologistas consideram muito provável que 2027 supere 2024 e se torne o ano mais quente já registrado.

O cenário chama atenção porque ocorre em conjunto com os efeitos das mudanças climáticas causadas pela atividade humana, potencializando a preocupação com temperaturas elevadas e eventos climáticos extremos.

O que esperar dos próximos meses?

O El Niño ainda está em desenvolvimento, e sua intensidade poderá aumentar nos próximos meses. As previsões indicam que o fenômeno deve atingir seu pico entre outubro e novembro e permanecer ativo até o início de 2027.

Por isso, o acompanhamento das condições climáticas será importante para compreender como as diferentes regiões serão afetadas.

Para empresas e setores que dependem de condições controladas de temperatura, períodos de maior variação climática também reforçam a importância de contar com sistemas capazes de realizar o monitoramento e o controle adequado das condições ambientais.

O atual El Niño mostra como alterações nas condições do oceano podem produzir consequências em escala global. Com temperaturas mais elevadas e mudanças nos padrões de chuva, o fenômeno deve continuar sendo acompanhado de perto pelos meteorologistas nos próximos meses.

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